José Santos e Lilian Santos prestam depoimento a Polícia Federal

 Por Ricardo Antunes — Irmão e sócio de Fernando Santos, o empresário José Santos, depõe agora à PF. Sua esposa, Lilia Santos, fundadora da loja de roupas de grife, Dona Santa, também presta esclarecimentos à polícia.

Segundo os investigadores, Fernando Santos e José Santos criaram empresas utilizando familiares e laranjas como sócios, com o alegado propósito de desviar todo o patrimônio pessoal e das empresas do Grupo João Santos, furtando-se, assim, de suas obrigações tributárias e trabalhistas.

A decisão judicial que ordenou as buscas e apreensões no Grupo João Santos destaca que “paralelamente às trocas de gestores nas empresas do conglomerado, ocorreu um aumento progressivo do endividamento perante a Fazenda Nacional, com a inscrição de débitos em dívida ativa da União, principalmente no ano de 2016, mesmo ano em que houve o encerramento das atividades de muitas empresas”, como a fábrica de cimento Itapessoca.

Segundo relatório da PF, na última década, sob o comando de Fernando Santos e José Santos, o Grupo “atendeu aos interesses pessoais de ambos e de seus familiares, ignorando seus credores, tanto que, de 2007 a 2016, eles perceberam das empresas do grupo, a título de pró-labore, montante superior a R$255,5 milhões, sem o recolhimento do imposto de renda devido, além do que ambos aqueles diretores do Grupo, em nome próprio, de parentes ou de terceiros, puderam em tese alavancar seus empreendimentos imobiliários particulares, mediante a abertura de empresas paralelas, como as imobiliárias Pedra Firme e Pedra Branca, ao mesmo tempo em que houve um crescimento da Dívida Ativa da União por parte das empresas do Grupo”.

Fundada em 1995, Dona Santa é suspeita de lavar dinheiro no esquema

A loja Dona Santa, comandada por Lilia Santos, é uma das empresas apontadas pela polícia, com a função de lavar o dinheiro desviado pelo conglomerado. Segundo o relatório da PF, “a movimentação observada nas contas da empresa, comparada com a receita declarada a Receita Federal mostram-se totalmente incompatíveis.”

A investigações ocorrem no âmbito da Operação Background, deflagrada em 5 de maio. A ação bloqueou imóveis, veículos, embarcações, joias e imóveis de integrantes da família que detém o comando do conglomerado, para cobrir dívidas de mais de R$ 8,6 bilhões de empresas do Grupo em tributos sonegados. As empresas do grupo também devem mais de R$ 55 milhões em direitos trabalhistas.

Os depoimentos, noticiados pelo blog com exclusividade, começaram na semana passada e já ouviram 8 pessoas, entre familiares e sócios do grupo. Hoje, além de José Santos e Lilia Santos, serão ouvidos mais 3 pessoas ligadas ao grupo. O blog vai trazer todas as informações sobre os depoimentos.


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