Ricardo discute com Caixa moradia popular para Rio Tinto

Governador disse que não existe um programa habitacional na cidade

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O governador Ricardo Coutinho está em busca de uma solução junto à Caixa Econômica Federal para resolver a questão habitacional do município de Rio Tinto. Há várias décadas, 1200 famílias moram nas casas alugadas pertencentes ao grupo que administrou a antiga fábrica de tecidos da cidade.

Em Rio Tinto, grande parte das residências e até dos prédios públicos da zona urbana pertence à família Lundgren, que construiu os imóveis para a moradia dos trabalhadores da fábrica. Com o fechamento da tecelagem, em 1990, os imóveis construídos nas décadas de 1920, 1930 e 1940 continuaram alugados, seja para os antigos funcionários ou para a população, situação que perdura até hoje.

O caso foi discutido durante audiência, nessa quarta-feira (24), entre o presidente da Caixa Econômica, Jorge Hereda, o vice-presidente do banco, José Urbano Duarte, o governador Ricardo Coutinho, a presidente da Companhia Estadual de Habitação Popular (Cehap), Emília Correia Lima, e o presidente da Associação de Moradores de Rio Tinto, José Antônio Pereira.

Após a solicitação do governador e do representante dos moradores, o presidente da Caixa se sensibilizou com a situação vivenciada no município e recomendou que a Cehap e a Associação de Moradores fizessem um levantamento da renda dos inquilinos para que a instituição possa estudar uma linha de financiamento adequada à situação que considerou inédita no país.

O governador Ricardo Coutinho disse que a reunião possibilitou que Estado, Caixa e moradores discutissem um caminho para resolver o problema, já que ainda não existe um programa habitacional para uma cidade praticamente “privada”.

A presidente da Cehap, Emília Correia Lima, disse que essa é uma questão fundamental e histórica para Rio Tinto. “Vamos nos reunir com a Associação para identificar o perfil social e econômico dos moradores. A partir desse diagnóstico, vamos construir uma solução conjunta para esse problema histórico”, completou Emília.

O presidente da Associação dos Moradores de Rio Tinto, José Antônio Pereira, afirmou que como os programas de financiamento não contemplam casas antigas e os proprietários não demonstravam interesse em vendê-las, as famílias ficam prejudicadas.

José Antônio disse que ficou satisfeito com o empenho da Caixa e do Governo do Estado em resolver o problema. “Vamos iniciar, em parceria com o Governo do Estado, o levantamento da renda das famílias para que se chegue à abertura de uma linha de financiamento para que, em comum acordo com as partes, os moradores possam financiar a sua casa própria. Os próprios presidente e vice-presidente da Caixa ficaram muito sensíveis à situação dos moradores”, contou.

“Existem casos de pessoas que nasceram nestas casas, herdaram o aluguel dos pais e hoje estão idosas. Ao longo do tempo, as famílias investem em reforma, manutenção em algo que não é seu. É uma situação que não pode perdurar, pois não quero deixar essa herança para minhas filhas”, completou José Antônio.

O líder comunitário disse que essa é uma questão social e que os proprietários já admitem que podem vender os imóveis. “Essa é uma questão de independência porque são 1200 famílias que não aguentam mais continuar investindo e pagando aluguel quando poderiam pagar a prestação de suas próprias casas”, finalizou.


Secom-PB

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