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Herdeiro do grupo João Santos revela origem de ‘munição bilionária’ que atrapalha a recuperação judicial

 João Santos, patriarca da Cimento Nassau, e a sede do grupo em Recife

Por Lauro Jardim/O Globo

Ex-administrador do Grupo João Santos (Cimento Nassau), José Bernadino dos Santos, 88 anos, é um dos seis filhos do empresário pernambucano que dá nome ao conglomerado de empresas, que já foi o segundo maior produtor de cimentos do país.

Em recuperação judicial desde 2022, o grupo tem visto seu plano de pagamento aos credores ser desafiado há um ano na Justiça de Pernambuco por uma “munição bilionária” que, além de ter potencial para aumentar seu passivo, acirra uma disputa familiar. São R$ 2 bilhões em créditos cobrados por três fundos suíços, que, se adicionados à RJ, elevariam o passivo atual para R$ 7,3 bilhões.

E José Bernadino tem sido apresentado pelos advogados do grupo à 15ª Vara Cível de Recife, onde tramita a RJ, como uma espécie de “testemunha-chave” para atestar a origem desse crédito. A comprovação é tida pela atual administração, representada pelo escritório Matos Advogados, como essencial para que os R$ 2 bilhões constem na recuperação judicial (RJ), apenas a título de registro, sem pagamento a ser feito.

Cinco dos seis ramos familiares que herdaram o grupo alegam que, na verdade, os créditos nasceram de recursos do próprio grupo que foram enviados à Suíça e, depois, incorporados ao patrimônio das empresas. E temem que a cobrança seja, na verdade, uma jogada para favorecer Fernando dos Santos, de 77 anos, que também administrou os negócios ao lado de José entre 2009 e 2014.

Informações recentes prestadas por José à Justiça fortalecem a teoria que atravessa a família.

Em declarações feitas à administradora da RJ, que já constam nos autos desde setembro, bem como em novas falas que serão incluídas na ação, José afirma que os recursos “têm sua origem em comissionamentos” recebidos pelo pai. E que o próprio patriarca “optou por mantê-los no exterior para benefício direto das empresas do grupo”. Diz ainda que manteve cidadania suíça, via pagamentos de taxas, justamente pelo caráter internacional dessas transações. Elas envolviam viagens ao país.

A gestão dos recursos, ainda segundo José, acontecia pelas empresas Agricultural & Industrial Development; a Cement & Land, e a Sugar & Land — as offshores são as mesmas que hoje cobram os R$ 2 bilhões do Grupo João Santos. De acordo com ele, “as Lands”, como são chamadas informalmente, “fazem parte da estrutura” de administração dos recursos, que chegaram a US$ 300 milhões.

Por fim, José diz que reuniu documentos sobre esses créditos obtidos pelo grupo com as três empresas. Mas que parte desses papéis foi recolhida pela PF em 2021, na operação para apurar as já denunciadas suspeitas de lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa no grupo.

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