Hemobrás fará remédio para hemofílico sem usar sangue como matéria-prima

 

ARNALDO CARVALHO/JC IMAGEM
Hemobras, Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia, em Goiana PE, que visa produzir hemoderivados para atendimento prioritário do SUS. Foto: ARNALDO CARVALHO/JC IMAGEM


Estão se juntando, num projeto de Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP), a brasileira Hemobrás, sediada em Goiana (PE), e a gigante japonesa Takeda, uma biofarmacêutica com 240 anos atuação e presente no Brasil há cerca de 70 anos, para a produção de Fator VIII recombinante, uma molécula igual ao Fator VIII plasmático, mas que não é obtido da purificação do plasma humano, e sim por engenharia genética.

O medicamento tem vantagens, pois não tem limites para produção industrial, já que o fator VIII plasmático tem a limitação da oferta da matéria-prima básica, que é o sangue. Por meio dessa transferência de tecnologia, a Takeda dará autonomia à Hemobrás para a fabricação de um novo medicamento de biotecnologia e engenharia genética, garantindo a continuidade da oferta de tratamento gratuito pelo SUS, no futuro próximo.

A tecnologia que está sendo transferida pela Takeda à Hemobrás atende os protocolos de tratamento da doença, que preconizam a terapia de reposição regular (profilaxia) do fator concentrado de coagulação para prevenir sangramentos e demais complicações da hemofilia, dentro da realidade do sistema de saúde brasileiro, em que nenhum paciente fica desassistido.

Dentro do projeto, a biofarmacêutica também está realizando um investimento adicional de R$ 1,2 bilhão no parque fabril da Hemobrás em Goiana. Em troca, a Hemobrás vai fornecer ao Ministério da Saúde esse produto vindo da Takeda, sendo já incorporadas algumas fases do processo de produção.

Foto: reprodução de internet - A expectativa é a de que 10 mil pacientes recebam o produto, usado para controle de sangramento

O presidente da Hemobrás, Antônio Edson de Souza Lucena, comemora a PDP com a Takeda, lembrando que a Hemofilia A é a falta dessa proteína, o Fator VIII da coagulação. Como o novo produto é produzido por engenharia genética, os hemofílicos terão maior segurança clínica.

O diretor da Takeda no Brasil, Rafael Fortes, também comemora, porque ela deixará outros legados ao complexo industrial de saúde nacional. A hemofilia é uma doença passada de pais para filhos, que afeta especificamente homens.

No Brasil, a hemofilia ataca 12.400 pessoas e tem como causa a falta de fatores de coagulação no sangue.

Os sintomas limitam a autonomia dos portadores, como sangramentos espontâneos, problemas nas articulações e até hemorragias internas.

A japonesa Takeda Pharmaceutical é uma líder biofarmacêutica global que concentra esforços de P&D em quatro áreas: Oncologia, Doenças Genéticas Raras e Hematologia, Neurociências e Gastroenterologia (GI), com parceiras em 80 países

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