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Bolsonaro explica que motivos que culminaram na demissão de Moro

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje, em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, após a saída do ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, e da exoneração do diretor-geral da PF (Polícia Federal) Maurício Leite Valeixo, que Moro só pensa no próprio ego e não se importa com o bem dos brasileiros e do País.
“Uma coisa é admirar uma pessoa, outra é conviver com ela. Hoje pela manhã, tomando café com alguns parlamentares, eu lhes disse: hoje vocês conhecerão aquela pessoa que tem o compromisso consigo próprio, com seu ego, e não com o Brasil. O que eu tenho ao meu lado é o povo brasileiro”, disse o presidente.
Hoje mais cedo, Moro deixou o cargo e fez várias acusações contra Bolsonaro. O ex-juiz declarou que o mandatário trocou o comando da PF para ter acesso a investigações e relatórios da entidade, o que é proibido pela legislação. Também declarou que Bolsonaro estava preocupado com inquéritos que correm atualmente no STF (Supremo Tribunal Federal). O anúncio foi feito no final da manhã na sede da pasta, em Brasília.
O presidente ainda defendeu a exoneração de Valeixo. ‘Se eu posso trocar o ministro, por que não posso trocar o diretor da PF? Eu não tenho que pedir autorização a ninguém para trocar o diretor ou qualquer um outro que esteja na pirâmide hierárquica do poder Executivo.”
Valeixo foi exonerado pelo presidente na manhã de hoje. O decreto oficializando a mudança, publicado no Diário Oficial da União (DOU), veio assinado eletronicamente tanto pelo presidente quanto por Moro — que negou ter assinado o documento. No decreto, consta que a exoneração ocorreu “a pedido”. O agora ex-ministro, no entanto, disse que Valeixo não pediu para ser demitido e que a Secretaria de Comunicação do governo federal havia mentido.
Bolsonaro diz que PF se preocupou mais com Marielle
“É intervenção pedir a Sergio Moro, quase implorar, que apure quem mandou matar Jair Bolsonaro?”, continuou o presidente ao longo do pronunciamento.
“A PF de Sergio Moro se preocupou mais com quem matou Marielle (Franco, ex-vereadora do Rio) do que com quem tentou matar seu chefe supremo. Cobrei muito deles aí, interferi”, acrescentou.
1º contato com Moro em 2017 foi decepcionante
Bolsonaro relatou ter conhecido Moro em março de 2017 e, num primeiro contato, foi ignorado pelo então juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba ao abordá-lo no aeroporto de Brasília.
“Ele praticamente me ignorou. A imprensa toda noticiou isso, dando descrédito à minha pessoa. Confesso que fiquei triste porque era um ídolo para mim. Eu era apenas um deputado, um humilde deputado”, afirmou Bolsonaro.
O presidente também declarou ter se decepcionado: “Não vou dizer que chorei porque estaria mentindo, mas fiquei muito triste. Para minha surpresa, alguns dias depois, eu estava em Parnamirim e recebi um telefonema dele, onde obviamente, sua consciência tocou e ele conversou comigo sobre o episódio. Dei por encerrado o assunto. Me senti de certa forma reconfortado.”
Apoiadores
Bolsonaro fez o pronunciamento rodeado de apoiadores, entre eles o vice-presidente Hamilton Mourão, os ministros Nelson Teich (Saúde, empossado na semana passada após a demissão de Luiz Henrique Mandetta, Paulo Guedes (Economia), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), Abraham Weintraub (Educação), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Onyx Lorenzoni (Cidadania) e Augusto Heleno (Defesa).
Das cerca de vinte pessoas que acompanharam o presidente durante o discurso, apenas o ministro Paulo Guedes usava máscara de proteção contra o coronavírus, medida recomendada pela Organização Mundial da Saúde para evitar a propagação do vírus.

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