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Parecer pela cassação na mesa, ostentação no pulso e turismo no camarote: gestão da prefeita Adelma em Pitimbu entra em modo “fim de feira”


Em Pitimbu, o clima dentro da administração municipal já não é mais de rotina — é de contagem regressiva. A prefeita Adelma Cristovam dos Passos enfrenta um parecer do Ministério Público Eleitoral que aponta para a cassação do mandato, um movimento que, nos bastidores, é tratado como o início de um possível desfecho político turbulento.

E quando o fim começa a rondar, os sinais aparecem.

Fontes ligadas à Câmara Municipal relatam que o ambiente interno da prefeitura passou a ser marcado por movimentações incomuns. Documentos sendo reorganizados, setores em silêncio e uma expressão que circula com insistência: “limpar as gavetas”. Em política, raramente essa frase aparece por acaso.

No meio desse cenário, um nome se destaca — não exatamente pelo que fez pela cidade, mas pelo contraste com ela. O secretário de Turismo e filho da prefeita, Allef Cristovam, virou alvo direto das críticas.

Segundo esses relatos, foi ele quem protagonizou um episódio que caiu como gasolina no já inflamado ambiente político: uma viagem ao Rio de Janeiro para assistir a uma partida de futebol em área VIP. Até aqui, nada ilegal por si só — o problema está na suspeita levantada por fontes de que a viagem possa ter sido custeada com recursos públicos. Caso isso venha a ser comprovado, o caso ganha contornos de improbidade administrativa.

Mas o incômodo não para na viagem.

Nos bastidores e nas conversas políticas da cidade, Allef também é citado como um entusiasta — ou, como dizem alguns, um colecionador — de relógios de luxo. Peças que, segundo relatos, podem alcançar valores entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. Não há, até o momento, comprovação oficial de irregularidade na aquisição desses bens. Ainda assim, o ponto que gera desconfiança é o contraste: um secretário com salário estimado em torno de R$ 6 mil mensais exibindo itens de alto valor.

É aí que a conta começa a não fechar — pelo menos na percepção pública.

A crítica vai além do acessório. Para opositores e parte da população, o que está em jogo é a imagem de uma gestão que, ao longo dos anos, teria se afastado da realidade local. Pitimbu, que carrega um potencial turístico evidente, segue sem políticas estruturantes robustas para o setor há cerca de cinco anos.

Na prática, o município observa seu principal ativo econômico caminhar lentamente — enquanto o responsável pela área aparece, segundo relatos, mais associado a viagens pessoais do que a projetos concretos.

Outro ponto que pesa é a acusação recorrente de que a gestão adotou um modelo de forte concentração familiar. Pessoas ligadas diretamente à prefeita ocupariam cargos estratégicos, compondo uma engrenagem que, somada, representaria dezenas de milhares de reais mensais em salários pagos com recursos públicos. Também há questionamentos sobre a frequência e a efetividade de parte desses servidores.

Dentro da Câmara Municipal, o cenário é de divisão. Há quem critique abertamente, mas também há silêncio — e, segundo fontes, não é por acaso. A independência de parte dos vereadores é colocada em dúvida, o que contribui para a sensação de que o controle político da gestão ainda resiste, mesmo sob desgaste.

Com o parecer do Ministério Público Eleitoral avançando, cresce a expectativa por uma atuação mais incisiva de órgãos como o Ministério Público da Paraíba e o GAECO. O momento, avaliam observadores, exige mais do que acompanhamento — exige resposta.

Porque o que está em jogo já não é apenas a permanência ou não de uma prefeita no cargo.

É a necessidade de esclarecer se, em meio a viagens, ostentações e suspeitas, houve desvio de finalidade, uso indevido de recursos públicos ou práticas que contrariem a lei de improbidade administrativa.

Dados públicos do sistema Sagres mostram que a folha de pessoal do município chega à casa dos R$ 6,4 milhões, incluindo, segundo levantamentos e relatos políticos locais, dezenas de pessoas ligadas diretamente à estrutura familiar da prefeita. A informação, por si só, configura irregularidade diante do conhecido nepotismo familiar , e amplia o debate sobre possível concentração de cargos e uso da máquina pública.

Enquanto isso, em Pitimbu, a percepção cresce nas ruas:
a cidade segue parada — mas tem gente que parece ter corrido na frente.

E, quando a conta chegar, dificilmente será paga com relógio de luxo.

Blog do Batista Silva 

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