sexta-feira, 12 de julho de 2019

Mulher atacada com ácido apresenta ‘certo grau de consciência’

Mulher atacada com ácido apresenta ‘certo grau de consciência’
Familiares contaram que o suspeito, que tem 27 anos, sempre batia na esposa - Foto: Reprodução/TV Jornal

A mulher de 19 anos, que foi atacada com soda cáustica, na última quinta-feira (4), no Recife, permanece entubada e respira com ajuda de aparelhos, mas se percebe certo grau de consciência, apesar de ser precipitado afirmar que houve uma melhora. Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (11), a médica responsável pela UTI do Hospital da Restauração, divulgou o estado de saúde da jovem que teve o corpo atingido por soda cáustica, jogada pelo ex-companheiro, na última quinta-feira (4). O nome do agressor não está sendo divulgado pela reportagem para preservar a identidade da vítima.
 De acordo com a médica Fátima Buarque, a equipe está tomando as precauções necessárias para evitar complicações naturais, como insuficiência renal. O líquido usado atingiu o rosto, pescoço, tórax, braços e parte das coxas da vítima. O pulmão está inflamado e comprometido pela inalação do hidróxido e seus olhos, também atingidos, estão sendo acompanhados por um oftalmologista da Fundação Altino Ventura. Um médico legista do IML também esteve no hospital para avaliar dano no tecido atingido.

Próximos passos

Ainda segundo a médica, a equipe estuda a possibilidade de fazer uma traqueostomia com o intuito de facilitar a respiração e retirar os aparelhos. “Se ela não assumir a ventilação, precisaremos retirar a entubação da boca e passar para a traqueia, reduzindo os riscos de infecção e aumentando a possibilidade dela assumir a respiração espontânea.
A doutora Fátima Buarque explicou que a vítima entrou na unidade consciente mas que foi entubada após apresentar um quadro de insuficiência respiratória
A doutora Fátima Buarque explicou que a vítima entrou na unidade consciente mas que foi entubada após apresentar um quadro de insuficiência respiratória
Reprodução/TV Jornal

Quadro inicial

A doutora Fátima Buarque explicou ainda que a vítima entrou na unidade consciente apesar da gravidade das lesões, mas que foi entubada trinta minutos depois, após apresentar um quadro de insuficiência respiratória. 

Queria 'dar um susto nela', diz suspeito de jogar ácido em ex-mulher


A substância jogada no rosto a mulher de 19 anos foi ácido sulfúrico, segundo confirmação da Polícia Civil de Pernambuco. Em coletiva de imprensa, na manhã desta terça-feira (9), a delegada do Departamento de Polícia da Mulher, Bruna Falcão, afirmou, entre outras coisas, que as versões apresentadas pelo ex-marido e o cúmplice no crime são contraditórias. Durante depoimento que durou cerca de duas horas, o suspeito disse que queria "só dar um susto" na ex-mulher.   
“Ele admite que planejou a investida contra a ex-companheira, que conversou com o amigo, que queria dar um susto na ex e que tinha ácido sulfúrico em casa, utilizado para desentupir a encanação. A partir deste material, decidiu se vingar dela, insistindo naquela versão de que ela não dava acesso ao filho do casal”, explicou. A delegada disse também que, segundo o ex-companheiro da vítima, o amigo dele teria sido o responsável pela execução do crime, mas que, essa versão também não se sustenta e que, na verdade, ele que teria atirado ácido contra ela. 
O inquérito ainda não foi concluído e a polícia trabalha com a acusação de lesão corporal grave, que pode gerar a pena de reclusão de 1 a 5 anos. No entanto, a polícia destacou que, se a situação da vítima se agravar, a acusação passa a ser de lesão corporal gravíssima, onde as penas variam de 2 a 8 anos. A delegada responsável pelo caso afirmou que está tentando reunir provas materiais para acusação de tentativa de feminicídio - neste caso, a pena é dois sextos menor que a de feminicídio, que varia de 12 a 30 anos de reclusão. 

O caso

O suspeito de 30 anos, com a ajuda de um amigo de 20 anos, teria jogado ácido sulfúrico na ex-companheira, com quem tem um filho, na noite da última quinta-feira (4). A mulher está internada Hospital da Restauração, correndo risco de morte e de perder a visão, com 38% do corpo atingido por queimaduras de graus II e III, na cabeça, pescoço, tronco, coxas e órgãos internos, já que o ácido atravessou o tórax da vítima. 
O cúmplice foi preso em flagrante na sexta-feira (5) e, nessa segunda-feira (08), o suspeito se entregou à polícia. Os dois foram levados para o Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel). Eles prestaram depoimentos, apresentando versões que “não se sustentam e não são harmônicas entre si”, segundo a delegada. 

Material apreendido no local

Ainda segundo a polícia, um recipiente plástico vazio, uma garrafa de ácido sulfúrico também vazia, cabelo humano e uma presilha de plástico foram apreendidos no local. 

Denúncias da vítima contra o suspeito

A vítima já havia registrado três boletins de ocorrência contra o ex-companheiro. O primeiro, em 13 de maio, quando ela foi física e verbalmente agredida por ele. Na ocasião, foi solicitada uma medida protetiva, mas o acusado não foi localizado e não recebeu a notificação da medida. 
Em 23 de maio, ela voltou à delegacia para registrar o segundo boletim de ocorrência. Desta vez, ele havia enviado para a irmã dela um vídeo de conteúdo violento, relacionado ao assassinato de uma mulher e dizendo que não faria isso com ela apenas por ser mãe do filho dele. 
Uma briga entre a vítima e a atual mulher do suspeito teria sido a motivação para o terceiro boletim de ocorrência. A duas trocaram agressões em uma parada de ônibus. A vítima contou o acontecido para a mãe do suspeito, ele revoltou-se com a atitude dela em envolver a mãe dele, afirmando que a ex-companheira iria pagar. "A mãe dele respondeu dizendo que se ele fosse fazer algo contra a ex-companheira, teria de fazer contra ela também porque antes de ser mãe dele ela era mulher também e não admitia aquele tipo de violência", detalhou a delegada. 
A vítima registrou o terceiro boletim de ocorrência em 1º de junho e em 5 de junho a notificação de medida protetiva foi entregue ao suspeito.  

Pai tinha acesso ao filho 

"Ele insiste na versão de que não é verdade que ele não se conformava com o fim do relacionamento, inclusive alega que havia voltado a viver com a sua esposa e que por isso não havia revolta dele na posição dela de não querer mais se relacionar. Isso tudo tem se desmentido pelas testemunhas que ouvimos. A própria mãe do suspeito foi escutada na unidade policial e disse que o acesso ao filho do casal era permitido pela ex-mulher dele sempre, então essa versão também não se sustenta", explicou a delegada.
A mãe da vítima também desmentiu a afirmação do suspeito. "Nesse mesmo dia que ele fez isso, ele estava com o menino mais cedo. Ela nunca empatou dele ver o menino", diz mãe da vítima. Confira:

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