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Após devastação na Mata Sul, a Apac prevê chuva de moderada a forte na Mata Norte

De acordo com a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), nesta terça-feira (30), a atenção da Defesa Civil do Estado deve estar, principalmente, na Zona da Mata Norte. Isso porque a região é a primeira a entrar em contato com as nuvens carregadas que se aproximam vindo do Oceano Atlântico. Depois, elas seguem para a Mata Sul, passando pelo Grande Recife. Na segunda (29), à tarde a Capital recebeu alerta de chuvas fortes.
Na Mata Sul de Pernambuco, o inverno de 2017 é o da desesperança. Sete anos depois de uma enchente que devastou a região, a chuva voltou a cair inclemente, desde a última sexta-feira. Algumas cidades registraram mais precipitação que o esperado para todo o mês de maio e as consequências se assemelham aos de 2010. Já que, das cinco barragens que deveriam ter sido construídas para conter possíveis enchentes, só uma foi concluída – parcialmente. Rios como o Jacuípe e o Amaraji acima da cota de inundação, pelo menos 44 mil pessoas desabrigadas/desalojadas, 14 cidades em estado de calamidade pública, dois mortos e a chuva continua.
Na reportagem realizada in loco pela Folha de Pernambuco, o repórter Marcos Toledo e o fotógrafo Alfeu Tavares viram homens e mulheres catarem alimentos em meio à lama no centro de Palmares. O cenário é agravado por relatos de saques. Em Ribeirão, uma ponte desabou e deixou os moradores de Arapibu, literalmente, ilhados (figurativamente, a situação se aplica à toda Mata Sul).
A chuva também afetou cidades agrestinas. Nelas, trouxe as consequências mais temidas: um casal foi soterrado em Lagoa dos Gatos, quando uma barreira caiu sobre a casa em que eles dormiam; em Caruaru, uma mulher está desaparecida desde que teve o carro arrastado pela correnteza no bairro de Caiucá.
A situação poderia ser diferente, de acordo com especialistas, se quatro barragens – em Barra de Guabiraba, Cupira, São Benedito do Sul e Lagoa dos Gatos – tivessem sido construídas. Três ainda passarão por nova licitação. Uma informação que assusta, primeiro porque a previsão de conclusão era de 2014. Mas também porque os fenômenos climáticos estão experienciando ciclos cada vez mais curtos. Com o aquecimento global, chuvas torrenciais que aconteciam na Mata Sul dentro de um período de 15 ou 20 anos, passam a chegar com mais frequência.
Do Folha PE

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