Brasil tem pior déficit primário para junho da história
Indústria: no acumulando em 12 meses, o rombo correspondeu a 0,80 por cento do PIB, o pior desempenho da série histórica.
"A despeito das medidas adotadas tanto no âmbito da recuperação de receitas como contenção de despesas desde o início do ano, há impacto significativo da atividade econômica sobre a arrecadação", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.
Na última semana, o governo reduziu a meta de economia para pagamento de juros da dívida deste ano a 8,747 bilhões de reais, equivalente a 0,15 por cento do PIB, contra 1,1 por cento do PIB previsto até então. Também anunciou corte adicional de gastos de 8,6 bilhões de reais.
Na mesma ocasião, a equipe econômica também deixou em aberto a possibilidade de fechar o ano com déficit primário de mais de 17 bilhões de reais caso não consiga obter algumas receitas com as quais conta e que basicamente dependem da aprovação do Congresso Nacional, em meio à intensa batalha política entre o Executivo e o Legislativo.
O BC informou ainda que, no acumulado do primeiro semestre, o resultado primário ficou positivo em 16,224 bilhões de reais, também pior resultado para o período na série iniciada em dezembro de 2001.
O número foi fundamentalmente impulsionado pelo desempenho de Estados e municípios, mas bem inferior ao patamar de 29,380 bilhões de reais de igual etapa de 2014.
A fraca economia, que deve encolher pouco menos de 2 por cento neste ano, tem abalado a arrecadação que, em junho, recuou quase 2,5 por cento. Nos primeiros seis meses do ano, esse recolhimento caiu 2,87 por cento.
Dívida
Em junho, a dívida bruta alcançou 63,0 por cento do PIB, acima da projeção do BC de que ficaria em 62,4 por cento e mantendo trajetória de alta. A relação era de 58,9 por cento em dezembro de 2014.
Ao reduzir as metas fiscais, o governo também traçou uma trajetória para a dívida pública do país que não convenceu o mercado e especialistas de modo geral. Passou a prever que a relação dívida bruta/PIB --importante indicador monitorado pelas agências de classificação de risco-- fechará este ano a 64,7 por cento, indo a 66,4 por cento em 2016 e 66,3 por cento em 2017. Para 2018, a vê em 65,6 por cento.
Nesta semana, a agência de classificação de risco Standard & Poor's sinalizou que pode tirar o selo de bom pagador do Brasil, em meio ao cenário fiscal ruim e político conturbado, abalado pelas denúncias de corrupção dentro da operação Lava Jato.
Portal Exame

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