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O dia que uniu Rattín e Embolo na Copa do Mundo

Publicado em 12/07/2026 16:26 Automática Fonte: revistaoeste.com
O dia que uniu Rattín e Embolo na Copa do Mundo

Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, tem curso de especialização em teoria da história, pela Universidade de São Paulo e em economia e finanças pelo Instituto Brasileiro de Economia e Finanças. Atuou no Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e portal R7, entre outros, tendo feito coberturas fora do país. Foi também assessor de imprensa do Consulado de Israel e da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Autor de cinco livros, foi vencedor do Prêmio Clio de História e recebeu menção honrosa no Prêmio Sindiclube de Contos e Crônicas. Atualmente é jornalista da Revista Oeste.

O artigo compara duas cenas marcantes da história das Copas do Mundo: a expulsão do argentino Antonio Rattín em 1966, que gerou rivalidade com a Inglaterra, e a expulsão do suíço Embolo em 2026, pela nova regra do VAR. Rattín, expulso sem cartões, deixou o campo contrariado. A partir deste caso, foram introduzidos os cartões no futebol. Embolo, depois de simular uma falta, saiu chorando. Ambos os episódios refletem a evolução das regras e a persistência das emoções no futebol.

As cenas poderiam se contrapor. Numa delas, Antonio Rattín, volante e capitão da seleção da Argentina, é mandado se retirar do campo pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein. Eram as quartas de final da Copa do Mundo de 1966. De personalidade forte, Rattin gesticulava para a arbitragem, que viu aquilo como uma ofensa.

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O juiz, então, decidiu expulsar Rattín, mas não havia cartões na época. Rattín permaneceu por mais de 10 minutos, exigindo um intérprete. Depois, saiu contrariado, resvalando com agressividade na bandeira de escanteio, que era a da Inglaterra.

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Foi um prenúncio da rivalidade entre as duas seleções, intensificada pela Guerra das Malvinas, em 1982. Quando Rattín saiu, o jogo estava 0 a 0. Sem ele, a Inglaterra venceu por 1 a 0. E, desde então, foram instituídos os cartões, como uma forma de comunicação que não necessitava da linguagem.

Na outra cena, Breel Embolo, da Suíça, enfrenta a seleção da Argentina, também pelas quartas de final. Mas da Copa do Mundo de 2026, 60 anos depois. A linguagem deixou de ser um obstáculo, mas os cartões perduraram e se tornaram fontes de polêmicas tão grandes quanto as que levaram Rattín a deixar aquela partida.

Os hábitos mudam, o ser humano, nem tanto. Embolo já havia recebido o amarelo por entrada dura. E, aos 25 minutos do segundo tempo, quando sua equipe dominava, simulou uma falta de Paredes e inaugurou, em Copas do Mundo, o uso de uma nova regra do VAR, a de erro de identificação, cometido pelo juiz português, João Pinheiro, ao não ver a simulação e dar o amarelo para Paredes.

Ao ser alertado para o VAR, uma nova forma de interpretação, Pinheiro reviu o lance e deu o segundo amarelo, por simulação, a Embolo, que foi expulso. As coincidências não param: Paredes, assim como Rattín, também é volante e jogador do Boca Juniors.

A saída de Embolo foi tão épica quanto a de Rattín. Embolo saiu com as mãos no rosto, chorando. Rattín também deixou o gramado inconformado, a ponto de desafiar o público. Seu ato contra a bandeira inglesa no corner gerou manchetes revoltadas nos tabloides ingleses. “Go Home, Thugs!” (“Voltem para casa, arruaceiros!”), foi uma delas.

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Seis décadas depois, em 11 de julho, no mesmo dia em que uma nova regra foi usada, morreu Rattín, aos 89 anos. Justamente quando sua seleção venceu um jogo graças à expulsão de um adversário. Por causa do cartão amarelo ao qual ele deu origem. Rattín morreu como uma lenda. Muito acima de polêmicas. Jogadores como ele fazem história. E se perpetuam, no campo e na vida, em todas as linguagens.

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