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Mobilidade na agenda nacional

Publicado em 03/07/2026 00:00 Automática Fonte: jc.uol.com.br
Mobilidade na agenda nacional

Quase 200 projetos de mobilidade urbana são listados em mapeamento de prioridades, e precisam de investimentos da ordem de R$ 400 bilhões

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O crescimento urbano no Brasil gerou, nas últimas décadas, grandes oportunidades, a partir da concentração de serviços e atividades, de saberes e fazeres, de gente diferente atraídas numa mesma rede social e econômica. Mas também aglomerou demandas que se tornaram problemáticas ao longo dos anos, sem que a gestão pública tenha conseguido proporcionar os resultados prometidos pelo planejamento desenhado – quando os planos não vinham a reboque da expansão acelerada. Assim, nem a habitação estruturada deu conta de todos os habitantes, nem o acesso à água e esgoto, nem a oferta de saúde e educação desde a primeira infância – e nem a mobilidade, no entrecruzamento de caminhos cumpridos diariamente pelas pessoas. O déficit de mobilidade é notório no país, especialmente, nos últimos vinte anos, porque as mesmas distâncias do século passado vêm sendo percorridas com lentidão maior, graças ao contínuo adensamento, sem a necessária infraestrutura de transporte coletivo. Basta ver o drama atual da Região Metropolitana do Recife (RMR), onde os sistemas de ônibus são insuficientes e desconfortáveis, e o Metrô de superfície, depois dos investimentos realizados até o ano 2000, entrou em um processo de decadência que reduziu mais que pela metade os usuários atendidos, transformando-se numa vergonha para os pernambucanos – e para os gestores públicos sucessivos, no Planalto e no Campo das Princesas, que não souberam alterar o rumo da degradação que atingiu em cheio a qualidade de vida da população metropolitana.Como em todo processo desordenado, mal planejado ou imprevisto, o desenvolvimento urbano brasileiro tem agora, no que diz respeito à mobilidade, o desafio de fazer investimentos para tirar as cidades que compõem as regiões metropolitanas do atraso em que se encontram. Tendo a realidade deficitária estampada nas ruas, e a capacidade financeira do setor público sob severas restrições, é consensual que deverá caber à iniciativa privada, por meio de concessões, parte considerável da missão de investir na recuperação, modernização e ampliação da infraestrutura, sobretudo para o transporte coletivo, com o objetivo de conferir eficiência aos sistemas e levar conforto aos usuários.Divulgado após dois anos de trabalho, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana do Brasil prevê a adição de 3 mil quilômetros à malha atual, suprindo a demanda projetada para os próximos 30 anos. Para tanto, são listados 187 projetos prioritários espalhados pelo território nacional, localizados em 21 regiões metropolitanas, que deverão ser executados a um custo estimado em cerca de R$ 400 bilhões. Apenas em Pernambuco, estão incluídos 11 projetos, para o benefício de 1,4 milhão de passageiros, ao custo de R$ 23,7 bilhões para viabilização. No horizonte do estudo, teremos veículos leves sobre trilhos (VLT) e ônibus de trânsito rápido (BRT) elétrico, em faixas exclusivas, além, claro, do lendário retorno do Metrô do Recife, que precisa ser recuperado e modernizado para participar com destaque de uma nova mobilidade na RMR. A conclusão de mais da metade das obras apontadas é planejada para acontecer nos próximos 15 anos. O tamanho da lista de prioridades, o volume de recursos envolvidos e o prazo para que a promessa de mobilidade digna para os brasileiros saia do papel, formam interessante ponto de partida. Que não seja apenas, para variar, miragem produzida em ano eleitoral.

Conteúdo importado de: jc.uol.com.br
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